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10.20.2008

Santa Rosa de Lima

Rosa de Lima é a padroeira do Peru, da América do Sul, foi um membro da Ordem Terceira de São Francisco como Terciária dominicana e é a primeira santa das América. Nasceu como Mariana de Jesus Paredes y Flores, em Lima Peru. Tomando o nome de Rosa em 1597 na sua confirmação(diz a lenda que na sua infância sua face teria sido transformada em uma rosa). Ela cuidava de flores e fazia rendas e brocados para se sustentar e ajudar a sua pobre família, mas sempre tinha em foco sua via espiritual. Tornando-se uma dominicana em 1606 ela sofreu duras perseguições de sua família e amigos pela sua recusa em se casar e seus votos de perpetua virgindade. Ao mesmo tempo, ela fez vários atos de mortificação e penitencia dando-se totalmente a Virgem Maria, Jesus e aos Sagrados Sacramentos. Santa Rosa, que foi contemporânea de São Martinho dos Pobres e Santo Toríbio de Mongrovejo, nasceu em Lima, em 1586. Mudou seu nome de Isabel por Rosa, que recebeu em sua confirmação, nas serras de Lima, das mãos de Santo Toríbio e, depois, acrescentou o nome de Santa Maria por causa de sua filial devoção Mariana. Aquela que seria Santa Rosa de Santa Maria, desde criança, se dedicou a uma vida de oração e serviço, sacrificando ao próximo, em especial, aos mais pobres e aos enfermos. Vestiu o hábito da Terceira Ordem de São Domingos. Jejuando rigorosamente, comungando diariamente passava horas orando e com terrível desolação e penitencia. Sempre dizia que iria morrer("dia de minhas núpcias eternas") no dia de São Bartolomeu e na verdade veio a falecer no dia 24 de agosto 1617 (dia do santo) com 31 anos de idade. Ofereceu sua penitencia ao Senhor e as almas do Purgatório. Logo após a sua morte, seu túmulo tornou-se local de peregrinações e vários milagres são creditados a sua intercessão. O Papa Clemente IX (1667-1669) a beatificou em 1668. Foi canonizada pelo Papa Clemente X (1670-1676) em 1671. Ela foi a primeira americana canonizada e tinha grande preocupação com os nativos do Peru e pelos escravos no Novo Mundo e isto fez com que ela fundasse uma instituição destinada ao cuidar dos pobre e índios do Peru

S .BERNARDINO DE SENA

Franciscano, Santo1380-1444
Na Itália, Bernardino nasceu na nobre família senense dos Albizzeschi, em 8 de setembro de 1380, na pequena Massa Marítima, em Carrara. Ficou órfão da mãe quando tinha três anos e do pai aos sete, sendo criado na cidade de Sena por duas tias extremamente religiosas, que o levaram a descobrir a devoção a Nossa Senhora e a Jesus Cristo. Depois de estudar na Universidade de Sena, formando-se aos vinte e dois anos, abandonou a vida mundana e ingressou na Ordem de São Francisco, cujas regras abraçou de forma entusiasmada e fiel. Apoiando o movimento chamado "observância", que se firmava entre os franciscanos, no rigor da prática da pobreza vivida por são Francisco de Assis, acabou sendo eleito vigário-geral de todos os conventos dos franciscanos da observância. Aos trinta e cinco anos de idade, começou o apostolado da pregação, exercido até a morte. E foi o mais brilhante de sua época. Viajou por toda a Itália ensinando o Evangelho, com seus discursos sendo taquigrafados por um discípulo com um método inventado por ele. O seu legado nos chegou integralmente e seu estilo rápido, bem acessível, leve e contundente, se manteve atual até os nossos dias. Os temas freqüentes sobre a caridade, humildade, concórdia e justiça, traziam palavras duríssimas para os que "renegam a Deus por uma cabeça de alho" e pelas "feras de garras compridas que roem os ossos dos pobres". Naquela época, a Europa vivia grandes calamidades, como a peste e as divisões das facções políticas e religiosas, que provocavam morte e destruição. Por onde passava, Bernardino restituía a paz, com sua pregação insuperável, ardente, empolgante, até mesmo usando de recursos dramáticos, como as fogueiras onde queimava livros impróprios, em praça pública. Além disso, como era grande devoto de Jesus, ele trazia as iniciais JHS — Jesus Salvador dos Homens — entalhadas num quadro de madeira, que oferecia para ser beijado pelos fiéis após discursar. As pregações e penitências constantes, a fraca alimentação e pouco repouso enfraqueciam cada vez mais o seu físico já envelhecido, mas ele nunca parava. Aos sessenta e quatro anos de idade, Bernardino morreu no convento de Áquila, no dia 20 de maio de 1444. Só assim ele parou de pregar. Tamanha foi a impressão causada por essa vida fiel a Deus que, apenas seis anos depois, em 1450, foi canonizado. São Bernardino de Sena é o patrono dos publicitários italianos e de todo o mundo.

10.19.2008

S. LEONARDO MURIALDO

Sacerdote salesiano, Fundador, Santo(1828-1900 Leonardo Murialdo nasce em Turim no ano de 1828, oitavo filho de uma família rica. Órfão de pai com apenas quatro anos, recebe, contudo uma ótima educação cristã no colégio dos Escolápios de Savona. Na juventude, atravessa uma profunda crise espiritual que o levará à conversão e à descoberta da vocação sacerdotal. Inicia em Turim os estudos filosóficos e teológicos. Começa a trabalhar, nesses anos, no oratório do Anjo da Guarda, dirigido pelo primo, o teólogo Roberto Murialdo. Graças a essa colaboração toca com as mãos as problemáticas da juventude de Turim: meninos de rua, encarcerados, limpadores de chaminés, serventes de bar. Em 1851 é ordenado sacerdote. Começa a trabalhar em estreito contato também com o Padre Cafasso e com Dom Bosco, e deste último aceita a direção do Oratório São Luís. Leonardo respira o sistema preventivo, encarna-o e aplica-o em todas as suas futuras obras educativas. Em 1866 aceita a direção do Colégio Pequenos Artesãos de Turim, dedicado à acolhida, à formação humana, cristã e profissional de jovens pobres e abandonados. Faz inúmeras viagens pela Itália, França e Inglaterra para visitar instituições educativas e assistenciais, para aprender, confrontar e melhorar o próprio sistema educativo. Figura entre os promotores das primeiras bibliotecas populares católicas e da União dos Operários Católicos, de que será por longos anos assistente eclesiástico. Em 1873, com o apoio de alguns colaboradores, funda a Congregação de São José (Josefinos de Murialdo). Sua finalidade apostólica é a educação da juventude, especialmente pobre e abandonada. Abre oratórios, escolas profissionais, casas-família para jovens trabalhadores e colônias agrícolas, aprofunda o seu trabalho nas associações leigas, especialmente no campo da formação profissional dos jovens e da boa estampa. Seu lema: Fazer e calar. Foi homem de espírito e de oração, contemplativo na ação como Dom Bosco. Por volta de 1884 foi atingido por diversos ataques de broncopneumonia: Dom Bosco foi dar-lhe uma bênção e, apesar das provações e perturbações, viveu ainda até 1900. Paulo VI proclamou-o Beato em 1963 e santo em 3 de maio de 1970. A perda do pai em tenra idade levou Leonardo também a ser pai e guia dos jovens que o Senhor lhe quis confiar. A sua vida, o seu estilo e a sua ação colocam-no ao lado do seu amigo e modelo São João Bosco. Beatificado em 1963Canonizado em 3-5-1970

BEATO ANTÓNIO MARIA SCHWARTZ

Sacerdote piarista, Beato1852-1929
Anton, para nós António nasceu na humilde e cristã família Schwartz, no dia 28 de fevereiro de 1852, em Baden, Áustria Era o quarto dos treze filhos, seu pai era um simples operário, sem profissão definida, enquanto sua mãe cuidava da casa e dos filhos, que estudavam na escola paroquial dessa cidade. Aos quinze anos ficou órfão de pai, vivendo uma grave crise pessoal, que durou dois anos. Em 1869, recuperado, foi estudar na escola popular gratuita dos padres piaristas. Alí conheceu a obra do fundador São José Calasanz, tornando-se um seu devoto extremado. Mas três anos depois, as atividades das escolas pias e da própria Ordem, foi suspensa na Áustria. Para completar sua formação, ingressou no seminário diocesano, pois queria seguir a vida religiosa. Nessa época passou por duas graves enfermidades, ambas curadas, segundo ele, por intercessão de Nossa Senhora. Em 1875 ordenou-se sacerdote e assumiu o segundo nome. O Padre António Maria Schwartz foi capelão por quatro anos, depois viajou à Viena, para promover assistência espiritual aos doentes nos hospitais das Irmãs da Misericórdia de Schshaus. Além disso, começou a orientar na religião, os operários e os jovens aprendizes em formação profissional. Tomando como base suas raízes humildes, percebeu as necessidades desses operários. Para lhes proporcionar apoio e orientação, fundou a "União dos aprendizes católicos sob a proteção de São José Calasanz", empreendendo uma intensa atividade pastoral. Sem, contudo, ter abandonado a assistência que prestava aos doentes nos hospitais. Após quatro anos pediu ao Cardeal de Viena que apoiasse essa Obra, mas este mostrou que não tinha com que financia-la. Por isso Padre António Maria adoeceu literalmente, tanto que precisou dos cuidados as Irmãs da Misericórdia. Dois anos. Esse foi o tempo necessário para o Cardeal dar seu apoio e ajuda, permitindo que ele ficasse apenas com o apostolado junto aos operários e aprendizes. Padre António Maria recuperou o entusiasmo e com total dedicação, em 1888 criou o "Artesanato cristão", um jornal para os artesãos e operários, que escreveu durante um longo tempo sozinho. Também buscou e conseguiu os meios para construir a primeira "igreja para os operários de Viena", um templo humilde e escondido pelas casas populares. Foi nessa igreja que, para melhor assisti-los fundou, a "Congregação dos Pios Operários", adotando a regra de São José de Calasanz, ainda hoje florescente. Ele vivificou sua Obra com valentia cristã durante quarenta anos. O "Apóstolo Operário de Viena" que dividia opiniões permaneceu sempre fiel a si mesmo e à Igreja de Cristo. Seus passos foram corajosos e chegou ao Parlamento, para conseguir lugares de formação profissional para os jovens e para o justo repouso dominical dos operários. Morreu em 15 de setembro de 1929, em Viena, Áustria. O Papa João Paulo II o proclamou Beato António Maria Schwartz, em 1998, designando a data da morte para a homenagem litúrgica

BEATA EUSÉBIA PALOMINO YENES

religiosa, bem-aventurada1899-1935 Eusébia Palomino Yenes nasce no crepúsculo do século XIX ― no dia 15 de dezembro de 1899 ― em Cantalpino, pequena cidade da província de Salamanca (Espanha) numa família rica de fé quanto escassa de meios. Papai Agustín, que todos recordam em seu aspecto humilde, homem de grande bondade e doçura, trabalhador braçal não fixo a serviço de grandes proprietários rurais dos arredores, e mamãe Juana Yenes cuida da casa com os quatro filhos. Quando o campo repousa no inverno e falta trabalho, o pão escasseia. Então, papai Palomino vê-se obrigado a pedir ajuda à caridade dos outros pobres nas cidadezinhas da região. Às vezes, acompanha-o a pequena Eusébia, de sete anos apenas, ignara do custo de certas humilhações: ela goza daquelas caminhadas pelos atalhos campestres, e saltita alegremente junto do papai que a faz admirar as belezas da criação e da luminosidade da paisagem de Castela tira argumentos catequéticos que a encantam. Depois, tendo chegado a um casario, sorri às boas pessoas que os acolhem e pedem “um pão por amor de Deus”. O primeiro encontro com Jesus na Eucaristia aos oito anos de idade dá à menina uma surpreendente percepção do significado de pertença, de oferecer-se totalmente como dom ao Senhor. Muito cedo deve deixar a escola para ajudar a família e, depois de ter dado provas de precoce maturidade em cuidar ― ainda criança ela mesma ― das crianças de algumas famílias do lugar enquanto os pais estão no trabalho, aos doze anos vai para Salamanca com a irmã mais velha e se coloca a serviço de uma família como babá-faz-de-tudo. Aos domingos à tarde, frequentando o oratório festivo das Filhas de Maria Auxiliadora conhecem as irmãs, que decidem pedir a cooperação delas na ajuda à comunidade. Eusébia aceita mais do que de boa vontade e se coloca logo a serviço: ajuda na cozinha, carrega a lenha, pensa na limpeza da casa, estende a roupa no grande pátio, acompanha o grupo das estudantes da escola estatal e faz outros serviços na cidade. Sua posição é, sem dúvida, a de uma empregada, uma criada sempre disponível, com serenidade e garbo, a qualquer exigência da comunidade ou das jovens hóspedes. Algumas dessas estudantes, quase da sua idade, intuem em seu sorriso mesmo trabalhando, a força de um espírito vigorosamente ancorado numa esfera superior; os breves encontros – muitas vezes buscados entrando abusivamente na cozinha – transformam-se muitas vezes em ocasiões de catequese eficaz. Falando com aquela humilde empregada as jovens percebem o seu ardor eucarístico que se exprime em solicitude generosa pelo bem espiritual de cada uma; procuram-na para dela escutarem palavras que percebem derivadas de “uma vida santa, extraordinária”. Dir-se-ia dela – observam – uma pessoa muito instruída em matéria religiosa e teológica. Mas, mais ainda do que suas palavras, e a sua vida que fala. O desejo secreto de Eusébia, de consagrar-se inteiramente ao Senhor acende e substancia agora mais do que nunca todas as suas oração, todas as suas acções. Diz ela: “Se faço com diligência os meus deveres, agradarei à Virgem Maria e conseguirei um dia ser sua filha no Instituto”. Não ousa pedi-lo, devido à sua pobreza e falta de instrução; acha-se indigna dessa graça: é uma congregação tão grande – pensa. A Superiora visitadora à qual se confiou, acolhe-a com afecto materno e bondade e lhe garante: “Não te preocupes com nada”. E, de bom gosto, em nome da Madre Geral, decide admiti-la. Inicia o noviciado em preparação à profissão no dia 5 de agosto. Horas de estudo e de oração alternadas à de trabalho marcam as jornadas de Eusébia, que está no auge da alegria. Dois anos depois – 1924 – faz os votos religiosos que a vinculam ao amor do seu Senhor. É enviada à casa de Valverde del Camino, pequena cidade que conta, na época, com 9.000 habitantes, no extremo sudoeste da Espanha, região mineira da Andalusia perto dos limites com Portugal. As jovens da escola e do oratório, no primeiro encontro, não ocultam uma certa desilusão: a recém-chegada é uma figura muito insignificante, pequena e pálida, não bela, com mãos grossas e, além do mais, não tem um nome bonito. Na manhã seguinte, a pequena irmã está em seu posto de trabalho: um trabalho multiforme que a ocupa na cozinha, na portaria, na rouparia, no cuidado da pequena horta e na assistência às meninas do oratório festivo. Alegra-se por “estar na casa do Senhor todos os dias da vida”. É esta a situação “real” de que sente honrado o seu espírito, que habita as esferas mais altas do amor. As pequenas são logo cativadas por narrações de fatos missionários, ou vida de santos, ou episódios de devoção mariana, ou factos de Dom Bosco, que recorda graças a uma feliz memória e sabe tornar atraentes e incisivos com a força do seu sentimento convicto, da sua fé simples. Aos poucos, unem-se às crianças também as adolescentes mais molecas, as jovens mais críticas e sofisticadas, que percebem junto daquela freirinha um fascínio inexplicável, uma irradiação de santidade que as transfere para uma realidade desconhecida. E já se fala explicitamente de santidade, também fora do oratório. No pátio chegam, e se detêm com interesse, também os pais das oratorianas, outros adultos, depois os jovens seminaristas em busca de conselhos. Em seguida serão também os sacerdotes a recorrerem àquela humilde freira, desprovida de doutrina teológica, mas com o coração transbordante da sabedoria de Deus. Tudo em Ir. Eusébia reflecte o amor de Deus e o desejo intenso de fazê-lo amar: suas jornadas operosas são transparência contínua disso e o confirmam os temas predilectos de suas conversas: em primeiro lugar, o amor de Jesus por todos os homens, salvos pela sua Paixão. As santas Chagas de Jesus são o livro que Ir. Eusébia lê todos os dias, e de onde tira pontos didácticos através de uma simples “coroinha” que aconselha a todos, também com frequentes acenos. Em suas cartas, faz-se apóstola da devoção ao Amor misericordioso segundo as revelações de Jesus à religiosa lituana – hoje Santa – Faustina Kowalska, divulgadas na Espanha pelo dominicano Padre Juan Arintero. O outro “pólo” da piedade vivida e da catequese de Ir. Eusébia é constituído pela “verdadeira devoção mariana” ensinada por São Luís M. Grignon de Montfort. Será essa a alma e a arma do apostolado de Ir. Eusébia em todo o arco da sua breve existência: destinatários são os meninos, meninas, jovens, mães de família, seminaristas, sacerdotes. “Talvez não tenha havido em toda a Espanha – diz-se nos Processos – um único Pároco que não tenha recebido uma carta de Ir. Eusébia a respeito da escravidão mariana”. Quando, nos inícios dos anos 30, a Espanha vai entrando nas convulsões da revolução pela raiva dos sem-Deus votados ao extermínio da religião, Ir. Eusébia não hesita em levar às extremas consequências o princípio de “disponibilidade”, literalmente pronta a despojar-se de tudo. Oferece-se ao Senhor como vítima pela salvação da Espanha, pela liberdade da religião. A vítima é aceita por Deus. Em agosto de 1932, um mal-estar improviso e os primeiros sintomas. Depois, a asma, que em momento diversos a tinha perturbado, começa agora a atormentá-la até chegar aos níveis de intolerabilidade, agravada de modo insidioso por variados mal-estares. Nesse tempo, visões de sangue afligem Ir. Eusébia mais ainda do que os males físicos inexplicáveis. Em 4 de outubro de 1934, enquanto algumas irmãs rezam com ela no pequeno quarto do seu sacrifício, ela se interrompe e empalidece: “Rezai muito pela Catalunha”. É o momento inicial daquela sublevação operária nas Astúrias e da catalã em Barcelona (4-15 de outubro de 1934) que serão chamadas de “antecipação reveladora”. Visão de sangue também para a sua querida directora, Ir. Carmen Moreno Benítez, que será fuzilada com uma outra Irmã em 6 de setembro de 1936: após o reconhecimento do martírio, ela foi declarada beata. Entretanto as doenças de Ir. Eusébia se agravam. O médico que a cura, admite não saber definir a doença que, agregada à asma, encarquilha os membros tornando-a como um novelo. Quem a visita sente a força moral e a luz de santidade que irradia daqueles pobres membros doloridos, deixando absolutamente intacta a lucidez do pensamento, a delicadeza dos sentimentos e a gentileza no trato. Às Irmãs que a assistem promete: “Voltarei para dar as minhas voltinhas”. No coração da noite de 9 para 10 de fevereiro de 1935 Ir. Eusébia parece adormentar-se serenamente. O dia inteiro seus frágeis despojos, enfeitados com muitíssimas flores, são visitados por toda a população de Valverde. Entre todos retorna a mesma expressão: “Morreu uma santa”. O governo municipal, politicamente “vermelho”, decreta por unanimidade a oferta gratuita de um lóculo “in perpetuo” para essa concidadã, em consideração pelos “relevantes merecimentos de virtude” e pela dedicação desinteressada à educação das crianças mais pobres. No Boletim paroquial de março de 1935, o artigo comemorativo traz o título Entierro de una santa. Escreve-o o Pároco, que conclui: “A sua sepultura será gloriosa

10.17.2008

Santa Josefina Bakhita

Religiosa sudanesa da Congregação das Filhas da Caridade (Canossianas). Irmã Josefina Bakhita nasceu no Sudão (África), em 1869 e morreu em Schio (Vicenza-Itália) em 1947.
Flor africana, que conheceu a angústia do rapto e da escravidão, abriu-se admiravelmente à graça junto das Filhas de Santa Madalena de Canossa, na Itália. A irmã morena Em Schio, onde viveu por muitos anos, todos ainda a chamam«a nossa Irmã Morena». O processo para a causa de Canonização iniciou-se doze anos após a sua morte, e no dia 1 de dezembro de 1978, a Igreja emanava o Decreto sobre a heroicidade das suas virtudes. A Providência Divina que «cuida das flores do campo e dos pássaros do céu», guiou esta escrava sudanesa, através de inumeráveis e indizíveis sofrimentos, à liberdade humana e àquela da fé, até a consagração de toda a sua vida a Deus, para o advento do Reino. Na escravidão Bakhita não é o nome recebido de seus pais ao nascer. O susto provado no dia em que foi raptada, provocou-lhe alguns profundos lapsos de memória. A terrível experiência a fizera esquecer também o próprio nome. Bakhita, que significa «afortunada», é o nome que lhe foi imposto por seus raptores. Vendida e comprada várias vezes nos mercados de El Obeid e de Cartum, capital do Sudão, conheceu as humilhações, os sofrimentos físicos e morais da escravidão. Rumo à liberdade Na capital do Sudão, Bakhita foi, finalmente, comprada por um Cônsul italiano, o senhor Calixto Legnani. Pela primeira vez, desde o dia em que fora raptada, percebeu com agradável surpresa, que ninguém usava o chicote ao lhe dar ordens mas, ao contrário, era tratada com maneiras afáveis e cordiais. Na casa do Cônsul, Bakhita encontrou serenidade, carinho e momentos de alegria, ainda que sempre velados pela saudade de sua própria família, talvez perdida para sempre. Situações políticas obrigaram o Cônsul a partir para a Itália. Bakhita pediu-lhe que a levasse consigo e foi atendida. Com eles partiu também um amigo do Cônsul, o senhor Augusto Michieli. Na Itália Chegados em Gênova, o senhor Legnani, pressionado pelos pedidos da esposa do senhor Michieli, concordou que Bakhita fosse morar com eles. Assim ela seguiu a nova família para a residência de Zeniago (Veneza) e, quando nasceu Mimina, a filhinha do casal, Bakhita se tornou para ela babá e amiga. A compra e a administração de um grande hotel em Suakin, no Mar Vermelho, obrigaram a esposa do senhor Michieli, dona Maria Turina, a transferir-se para lá, a fim de ajudar o marido no desempenho dos vários trabalhos. Entretanto, a conselho de seu administrador, Iluminado Checchini, a criança e Bakhita foram confiadas às Irmãs Canossianas do Instituto dos Catecúmenos de Veneza. E foi aqui que, a seu pedido, Bakhita, veio a conhecer aquele Deus que desde pequena ela «sentia no coração, sem saber quem Ele era». «Vendo o sol, a lua e as estrelas, dizia comigo mesma: Quem é o Patrão dessas coisas tão bonitas? E sentia uma vontade imensa de vê-Lo, conhecê-Lo e prestar-lhe homenagem». Filha de Deus Depois de alguns meses de catecumenato, Bakhita recebeu os Sacramentos de Iniciação Cristã e o novo nome de Josefina. Era o dia 9 de janeiro de 1890. Naquele dia não sabia como exprimir a sua alegria. Os seus olhos grandes e expressivos brilhavam revelando uma intensa comoção. Desse dia em diante, era fácil vê-la beijar a pia batismal e dizer: «Aqui me tornei filha de Deus!». Cada novo dia a tornava sempre mais consciente de como aquele Deus, que agora conhecia e amava, a havia conduzido a Si por caminhos misteriosos, segurando-a pela mão. Quando dona Maria Turina retornou da África para buscar a filha e Bakhita, esta, com firme decisão e coragem fora do comum, manifestou a sua vontade de permanecer com as Irmãs Canossianas e servir aquele Deus que lhe havia dado tantas provas do seu amor. A jovem africana, agora maior de idade, gozava de sua liberdade de ação que a lei italiana lhe assegurava. Filha de Madalena Bakhita continuou no Catecumenato onde sentiu com muita clareza o chamado para se tornar religiosa e doar-se totalmente ao Senhor, no Instituto de Santa Madalena de Canossa. A 8 de dezembro de 1896, Josefina Bakhita se consagrava para sempre ao seu Deus, que ela chamava com carinho «O meu Patrão!». Por mais de 50 anos, esta humilde Filha da Caridade, verdadeira testemunha do amor de Deus, dedicou-se às diversas ocupações na casa de Schio. De fato, ela foi cozinheira, responsável do guarda-roupa, bordadeira, sacristã e porteira. Quando se dedicou a este último serviço, as suas mãos pousavam docemente sobre as cabecinhas das crianças que, diariamente, freqüentavam as escolas do Instituto. A sua voz amável, que tinha a inflexão das nênias e das cantigas da sua terra, chegava prazerosa aos pequeninos, reconfortante aos pobres e doentes e encorajadoras a todos os que vinham bater à porta do Instituto. Testemunha do Amor A sua humildade, a sua simplicidade e o seu constante sorriso, conquistaram o coração de todos os habitantes de Schio. As Irmãs a estimavam pela sua inalterável afabilidade, pela fineza da sua bondade e pelo seu profundo desejo de tornar Jesus conhecido. «Sede bons, amai a Deus, rezai por aqueles que não O conhecem. Se, soubésseis que grande graça é conhecer a Deus!». Chegou a velhice, chegou a doença longa e dolorosa, mas a Irmã Bakhita continuou a oferecer o seu testemunho de fé, de bondade e de esperança cristã. A quem a visitava e lhe perguntava como se sentia, respondia sorridente: «Como o Patrão quer». A última prova Na agonia reviveu os terríveis anos de sua escravidão e várias vezes suplicava à enfermeira que a assistia: «Solta-me as correntes ... pesam muito!». Foi Maria Santíssima que a livrou de todos os sofrimentos. As suas últimas palavras foram: «Nossa Senhora! Nossa Senhora!», enquanto o seu último sorriso testemunhava o encontro com a Mãe de Jesus. Irmã Bakhita faleceu no dia 8 de fevereiro de 1947, na Casa de Schio, rodeada pela comunidade em pranto e em oração. Uma multidão acorreu logo à casa do Instituto para ver pela última vez a sua «Santa Irmã Morena», e pedir-lhe a sua proteção lá do céu. Muitas são as graças alcançadas por sua intercessão.

Santa Madalena de Canossa

Madalena Gabriela Canossa nasceu no dia 1º de março de 1774 na cidade italiana de Verona, que pertencia à sua nobre e influente família. Seu pai faleceu quando tinha cinco anos. Sua mãe abandonou os filhos para se casar novamente. As crianças foram entregues aos cuidados de uma péssima instituição e Madalena adoeceu várias vezes. Por essas etapas dolorosas, Deus a guiou por estradas imprevisíveis. Aos dezessete anos, desejou consagrar sua vida a Deus e por duas vezes tentou a experiência do Carmelo. Mas sentiu que não era esta a sua vida. Retornou para a família, guardando secretamente no coração a sua vocação. No palácio, aceitou a administração do vasto patrimônio familiar, surpreendendo a todos com seu talento para os negócios. Entretanto, nunca se interessou pelo matrimônio. Os tristes acontecimentos do século, políticos, sociais e eclesiais, marcados pelas repercussões da Revolução Francesa, bem como as alternâncias dos vários imperadores estrangeiros na região italiana, deixavam os rastros na devastação e no sofrimento humano, enchendo a sua cidade de pobres e menores abandonados. Em 1801, duas adolescentes pobres e abandonadas pediram abrigo em seu palácio. Ela não só as abrigou como recolheu muitas outras. Pressentiu que este era o caminho do espírito e descobriu no Cristo Crucificado o ponto central de sua espiritualidade e de sua missão. Abriu o palácio dos Canossa e fez dele não uma hospedaria, mas uma comunidade de religiosas, mesmo contrariando seus familiares. Sete anos depois, superou as últimas resistências de sua família, deixando em definitivo o palácio. Madalena foi para o bairro mais pobre de Verona, para concretizar seu ideal de evangelização e de promoção humana, fundando a congregação das Filhas da Caridade, para a formação de religiosas educadoras dos pobres e necessitados. Seguindo o exemplo de Maria, a Mãe Dolorosa, ela deixou que o espírito a guiasse até os pobres de outras cidades italianas. Em poucos anos as fundações se multiplicaram, e a família religiosa cresceu a serviço de Cristo. Madalena escreveu as Regras da Congregação das Filhas da Caridade em 1812, as quais, após dezesseis anos, foram aprovadas pelo papa Leão XII. Mas só depois de várias tentativas mal-sucedidas Madalena conseguiu dar andamento para a Congregação masculina, como havia projetado inicialmente. Foi em 1831, na cidade de Veneza, o primeiro oratório dos Filhos da Caridade para a formação cristã dos jovens e adultos. Ela encerrou sua fecunda existência terrena numa Sexta-Feira da Paixão. Morreu em Verona, assistida pelas Filhas, no dia 10 de abril de 1835. As congregações foram para o Oriente em 1860. Atualmente, estão presentes nos cinco continentes e são chamados de irmãs e irmãos canossianos. Em 1988, o papa João Paulo II proclamou-a santa Madalena de Canossa, determinando o dia de sua morte para seu culto litúrgico.

Santa Clara de Assis

Luz que iluminou o mundo!
Alguns traços da vida e da obra de uma Santa que, como São Francisco, marcou sua época. Os que conviveram com ela não acreditavam “que de Nossa Senhora Bem-aventurada Virgem Maria para cá tivesse havido jamais alguma mulher de maior santidade do que ela”Num Domingo de Ramos, dia 18 de março de 1212, uma jovem, aos dezoito anos de idade, foge da casa de seus pais e se encaminha para a igrejinha da Porciúncula (na atual basílica de Santa Maria dos Anjos), onde São Francisco de Assis e seus Frades, em oração, aguardavam sua chegada. Com círios acesos, os religiosos saem ao encontro da jovem, então luxuosamente adornada com seus trajes de fidalga, em direção à porta da igrejinha. Conduziram-na diante do altar de Nossa Senhora e a uniram para sempre ao seu Esposo Jesus Cristo. Ali mesmo, em presença de amigas e dos religiosos, São Francisco lhe corta os belos cabelos loiros. Essa tonsura é sinal de que a jovem, Clara de Assis, pertence virginalmente a Nosso Senhor. Após esse ato, os Frades a acompanham até o mosteiro das Beneditinas de Bastia. Irredutível resistência à família, por amor à vocaçãoEntretanto, os familiares reagem com grande indignação a esta fuga. Mas a Santa não se entrega, permanecendo irredutível. Quando percebe que a violência está por prevalecer, agarra com uma mão a toalha do altar e com a outra tira o véu da cabeça… Aí seus parentes constatam que ela já é de Nosso Senhor, e as esperanças de demovê-la caem por terra.Depois da Páscoa, Santa Clara sai da cidade de Bastia e vai para o mosteiro das Beneditinas de Sant’Angelo di Ponzo, onde, dezesseis dias depois de sua fuga, no dia 4 de abril, é alcançada pela sua irmã mais nova, Santa Inês, que também fugira de casa, querendo firmemente dedicar-se ao serviço de Deus.A encantadora cidade de Assis fica em polvorosa e se divide: uns estão a da família das Santas; outros, das “fugitivas”. Desta vez, porém, o pai está decidido a reaver viva ou morta sua filha mais nova. Doze cavaleiros, parentes das Santas, invadem sacrilegamente o mosteiro de Sant’Angelo. Um deles, chamado Monaldo, enfurecido, lança-se sobre Inês a socos e ponta-pés, arrastando-a pelos longos cabelos, enquanto outros agarram-na pelos braços e pelas vestes. E lhe infligiram tão desapiedados tratos, que pelo chão ficaram pedaços da roupa e punhados de cabelos. E assim conduziram-na montanha abaixo. Santa Inês, contudo, grita pela irmã, a qual se põe a rezar em seu favor. Então, pela graça de Deus, repentinamente Inês caiu estendida no caminho, e tornou-se de um peso tal, que os doze homens, nem mesmo com o auxílio de alguns lavradores, conseguiram arrastá-la.Mesmo assim continuaram as crueldades. O tio Monaldo alçou o braço direito para descarregar um golpe sobre Inês, que bastaria para dar-lhe a morte, se a houvesse alcançado. No ato de erguer a mão, porém, esta se lhe contraiu, e assim ficou por bastante tempo. Deixaram então Santa Inês na estrada e fugiram.Fundação das ClarissasAlguns dias após esses fatos, São Francisco de Assis faz uma visita ao mosteiro e reveste também Santa Inês do hábito da Ordem Segunda Franciscana, consagrando-a para sempre a Nosso Senhor. E escolhe para ambas as irmãs uma casa definitiva: a pobre residência da igreja de São Damião, situada fora dos muros de Assis.Em pouco tempo, com outras jovens da cidade e de Perúsia, Santa Clara e Santa Inês formam a primeira comunidade das Irmãs Pobres de São Damião, que passarão a chamar-se Clarissas, após a morte de Santa Clara de Assis, ocorrida a II de agosto de 1253.Refúgio em PerúsiaEm 1198,o povo da comuna de Assis elege os cônsules para administrar a cidade, derrubando um a um, todos os castelos dos “Maiores”. Os Beneditinos do Monte Subásio acolhem os nobres refugiados… Mas muitos deles fogem de Assis.Favorino Offreducci, pai de Santa Clara, refugia-se com sua família em Perúsia, onde permanece até 1209. Ao lado de sua mãe, Santa Clara cresce cortês e afável com todos, dedicando-se à oração e às obras de caridade, criando laços de amizade com outras meninas também exiladas em Perúsia, algumas das quais haveriam de acompanhá-la em Religião. Em 1209, Clara está novamente em Assis, onde, após ouvir uma pregação do grande São Francisco, decide consagrar-se inteiramente a Deus.Enfrenta os sarracenosFrederico II, Imperador da Alemanha, perjuro, sacrílego e várias vezes excomungado, por ter sucessivas querelas com diversos Romanos Pontífices, fazia guerra à Igreja e sobretudo aos religiosos. Para tanto tinha a soldo um exército de sarracenos com mais de vinte mil soldados, fixado na Itália, e particularmente no vale de Espoleto, pertencente à Santa Sé, e onde ficava Assis.Certo dia do ano de 1243, estando Santa Clara acamada, ouviu suas religiosas em lágrimas lhe dizer, com grande pavor, que uma tropa de maometanos tinha invadido o claustro externo da igreja de São Damião e já escalavam as muralhas do mosteiro. A Santa, sem se espantar, ordenou que a levassem, doente como estava, à porta do mosteiro bem em face do inimigo.Ali, precedida de uma caixinha de prata guarnecida de marfim, contendo o Santíssimo Sacramento, ela se prosternou, em lágrimas, dizendo a Nosso Senhor Sacramentado a seguinte oração: “Senhor, guardai Vós estas vossas servas, porque eu não as posso guardar”. Ouviu-se então uma voz de maravilhosa suavidade dizendo: “Eu te defenderei para sempre”. Santa Clara rezou ainda pela cidade de Assis: “Senhor, que Vos apraza defender também a esta vossa cidade”. E a mesma voz disse: “A cidade sofrerá muitos perigos, mas será defendida “. Após o que Santa Clara se voltou para as Irmãs, dizendo: “Não fiquem com medo, porque eu sou a sita garantia de que não vão passar nenhum mal, nem agora nem no futuro, enquanto se dispuserem a obedecer os Mandamentos de Deus”. Os sarracenos foram embora sem fazer qualquer mal ou causar prejuízo ao mosteiro e às religiosas.Aparições do Menino JesusDepondo sob juramento no processo de canonização, a Irmã Francisca de Messer Capitaneo de Col de Mezzo conta que certa vez viu no colo de Santa Clara, bem junto ao seu peito, uma criança belíssima, que só de vê-la sentia indizível suavidade e doçura. E que não tinha a menor dúvida de que se tratava do Menino Jesus.Em outra ocasião ainda, julgando as Irmãs que a Santa estava para morrer, chamaram um sacerdote para dar-lhe a Comunhão. A mesma Irmã Francisca viu sobre a cabeça da Santa um esplendor muito grande e a Sagrada Eucaristia tinha o aspecto de uma criança pequena e belíssima. Depois de comungar, Santa Clara disse: “Foi tão grande o benefício que Deus me fez hoje, que com ele não poderiam ser comparados o céu e a terra”.Milagres operados por Santa Clara em vidaEm certa ocasião, como não houvesse mais do que meio pedaço de pão para a refeição das Irmãs, Santa Clara mandou dividir essa metade em porções para dar às religiosas. Aquele pedaço multiplicou-se nas mãos da que o partia de tal forma que deu para cinqüenta porções, suficientes para as Irmãs que já estavam sentadas à mesa.Mas a Santa, além de operar muitos milagres, exerceu também ação exorcística. Como exemplo, cabe lembrar o caso da mulher de Pisa. Dizia esta que Nosso Senhor, pelos méritos de Santa Clara a havia libertado de cinco demônios que a atormentavam, e que. por isso, tinha vindo ao locutório das Irmãs para agradecer primeiro a Deus e depois à Santa. Ao serem expulsos, afirmou a mulher que os demônios bradavam: “As orações dessa santa nos queimam”.Milagres após a morteDepois de sua morte multiplicaram-se os milagres junto a sua sepultura. Assim, curou um epiléptico que. ademais, tinha uma das pernas atrofiadas. Ali receberam a cura integral pessoas cegas, corcundas, aleijadas em geral, possessas e loucas.Santa Clara escritoraSanta Clara foi excelente escritora. Tendo recebido em casa uma formação muito boa para seu tempo, teve o dom de expressar em seus escritos toda a riqueza de seu pensamento claro, conciso, elegante e principalmente entusiasmado por tudo quanto dizia respeito a Deus.O que se conhece de seus escritos revela uma mulher inteligente e culta, que sabe muito bem o que quer e o exprime de maneira muito feliz. Dominava bastante bem o uso do latim, distinguindo-se pela simplicidade, clareza e objetividade.“Falo com minha própria alma”Três dias antes de sua morte, em presença de algumas de suas Irmãs, Santa Clara encomendou sua própria alma a Deus dizendo: “Vá em paz, porque tens boa escolta; pois aquele que te criou, previu tua santificação. E, depois que te criou, infundiu-te o Espírito Santo. E depois te guardou como uma mãe cuida do seu filho pequenino”.Indagada a quem dirigia aquelas palavras respondeu: “Falo com a minha alma bendita”.Visita de Nossa Senhora à hora da morteÀs vésperas da morte de Santa Clara tinha-se a impressão de que a corte celestial se movimentava para preparar suas honras fúnebres.A Irmã Benvinda de dona Diambra de Assis, que a assistia nos últimos momentos, viu de repente com os olhos reais uma grande multidão de virgens, vestidas de branco, todas com coroas na cabeça, que entravam pela porta onde jazia Santa Clara. Entre elas havia uma maior, que excedia tudo quanto se possa imaginar, muito mais bela e com uma coroa maior na cabeça. Em cima de sua coroa havia um pomo dourado do qual irradiava tanto esplendor que parecia iluminar todo o recinto.As virgens aproximaram-se do leito da Santa, e a Virgem maior foi a primeira a cobri-la com um pano finíssimo, tão fino que por sua transparência Santa Clara podia ser vista mesmo coberta com ele. Então a Virgem das virgens inclinou o seu rosto sobre a Santa e após isso todas desapareceram…Considerações finaisQuem ler a Legenda de Santa Clara, escrita por Tomás de Celano, não se surpreenderá vendo-a cantar tantos louvores à Santa. Escrita por ocasião de sua canonização, em 1255, era natural que sua tarefa fosse louvá-la efusivamente.Entretanto, é impressionante que o mesmo Celano, ao escrever a primeira biografia de São Francisco de Assis, em 1228, quando Clara não tinha mais do que 34 anos de idade (dos sessenta que deveria viver, quarenta e dois dos quais como Abadessa das Irmãs Pobres de São Damião) já fale dela como de uma santa canonizada:“Clara…. virgem no corpo e puríssima no coração; jovem em idade mas amadurecida no espírito. Firme na decisão e ardentíssima no amor de Deus. Rica em sabedoria, sobressaiu na humildade. Foi clara de nome, mais clara por sua vida e claríssima em suas virtudes….“Clara de verdade pela santidade de seus merecimentos ….”Mas, quando o Processo de Canonização de Santa Clara foi descoberto, em 1920, é que se fica sabendo da forte impressão que ela exerceu sobre seus contemporâneos, desde criança: tanto as irmãs como os leigos que depõem ficam sem palavras para comentar a santidade dessa mulher que, para eles, “abaixo da Virgem Maria”, não devia ter igual.Leitor, se em meio às vicissitudes dos dias atuais, necessitas por ventura de alguma ajuda muito especial, pede-a a Santa Clara, quem, no Céu, bem junto ao Imaculado Coração de Maria, rogará também insistentemente por ti!

S. VILMOS APOR

Bispo, Mártir, Santo(1892-1945)
Vilmos Apor nasceu a 29 de Fevereiro de 1892, em Segesvár, filho de uma nobre família húngara. O pai morreu quando ele era muito pequenino, e foi a mãe que o educou com profundo fervor religioso. Completados os estudos no Liceu dos jesuítas, decidiu entrar no Seminário e depois frequentou a Universidade Católica de Innsbruck (Áustria), onde obteve o doutoramento em Teologia. Recebeu a Ordenação sacerdotal no dia 24 de Agosto de 1915, incardinando-se na diocese de Nagyvárad, onde iniciou o ministério como vice-pároco em Gyula; durante a guerra foi capelão militar por um breve período. Tendo retornado a essa localidade, foi nomeado pároco e realizou o seu ministério com profunda sabedoria e zelo pastoral: dedicou-se à formação dos jovens, criando para isto um colégio, e à assistência aos pobres, contando com a ajuda de várias Congregações religiosas. Em 21 de Janeiro de 1941, Pio XII nomeou-o Bispo de Györ, tendo recebido a Ordenação episcopal a 24 de Fevereiro daquele mesmo ano. O seu zelo pastoral ampliou-se em favor de todo o rebanho: cuidou da formação e união do clero, fortaleceu a educação moral e religiosa da juventude, promoveu o apostolado dos leigos e aumentou a sua caridade para com os pobres e necessitados. Com vigor tomou posição em defesa das vítimas da injustiça, sobretudo contra as leis raciais. Em 1945 um soldado russo atirou nele porque defendia a integridade física de um grupo de mulheres, que se tinham refugiado na residência episcopal. Atingido na cabeça, na mão e no estômago, foi logo socorrido e levado para o hospital a fim de ser submetido a uma intervenção cirúrgica, porém, não resistiu por muito tempo. Deu graças a Deus por ter aceite o seu sacrifício em favor daquelas mulheres que saíram ilesas do cerco militar, e as suas últimas palavras foram de prece pelos sacerdotes, fiéis e povo húngaro. Morreu no dia 2 de Abril de 1945, confiando a sua alma à misericórdia de Deus. Foi sepultado na cripta da igreja dos carmelitas, e o seu confessor pediu às autoridades eclesiásticas que imediatamente se abrisse o processo de beatificação, pois o Bispo era verdadeiramente um santo e mártir. Hoje, os restos mortais de D. Vilmos encontram-se na capela Hédervári da Basílica de Györ, onde é venerado por muitos fiéis. A 7 de Setembro de 1996, por ocasião da sua segunda visita pastoral na Hungria, também João Paulo II foi àquela capela para orar pelo Bispo mártir

S. Zeno de Verona

Nascido Norte da África e faleceu em Verona no dia 12 de abril de 371. As festas adicionais em Verona são celebradas no dia 12 de maio –traslado de suas relíquias e 6 de dezembro– sua consagração episcopal. Como em seus sermões Zeno descrevia como uma testemunha ocular o martírio de São Arcadius, provavelmente ele nasceu na Mauritânea perto de Algéria em torno de 302 DC. Em 8 de dezembro de 362 no reinado de Juliano São Zeno foi consagrado Bispo de Verona, possivelmente pelo Arcebispo Aussenzius de Milão.Logo após a sua chegada em Verona, ele combateu ferozmente idolatria que havia se espalhado pela cidade e conseguiu até mesmo reduzi-la nas regiões vizinhas onde o paganismo estava muito mais entrincheirado. Ele se opôs ao Arianismo e defendeu a eterna geração do Verbo, em íntima união com o Espírito Santo o Filho e o Pai. Seu sucesso em parte se deve a sua notável capacidade como orador. Zeno atraia multidões em seus sermões, 93 dos quais ainda existem, a mais antiga coleção de homilias em Latim que ainda existem. De fato multidões eram tão massivas que Zeno foi obrigado a construir uma catedral maior. Cada Páscoa muitos corações eram convertidos e batizados na nova fé. Ele pregava freqüentemente para um grupo de freiras que viviam em um Convento em Milão e ( muito antes de Santo Ambrósio) ele já encorajava as virgens que viviam em casa a se consagrarem. Enquanto Zeno tinha a reputação de um pastor muito trabalhador que com o maior zelo construía igrejas, ele é lembrado primeiramente com um escritor eclesiástico especialmente em tópicos como a virgindade de Maria no nascimento do Senhor.Seus sermões são de especial interesse para a informação, e fornecem ao ensinamento do Cristianismo, organização, culto, adoração e a vida no 4º século. Ele salientava a importância dos sacramentos para vida cristã. Para ele Batismo era o “Sacramento que de verdade que chama os homens mortos para a vida” . Embora seus sermões nunca mencionaram a Eucaristia ele indiretamente enfatizava a sua importância ao falar “do precioso pão e o vinho que vem da mesa do Pai ” e advertia ao seu rebanho que “nunca deviam tomar o Sacrifico sem estar preparado porque oferecer o sacrifico sem preparo era sacrilégio e tomando-o assim era mortal”. São Zeno oferece um conselho prático para a vida cristã. Ele nota que a fé na verdade revelada por Deus era necessária, mas importante para a eterna salvação era a caridade. Muitos detalhes a cerca da vida de Zeno vem de documento medievais.De acordo com estas historias Zeno gostava de pescar no Rio Adige ( o segundo maior da Itália) que percorre Verona e ele tinha sido um pescador antes de ser consagrado. Por esta razão ele escolhia viver em grande pobreza e reclusão. Pelos seus preceitos e o seu exemplo o povo era liberal nas suas dádivas e as suas casa eram sempre abertas para estrangeiros pobres, às vezes até mesmo desconhecidos e nem chegavam a pedir abrigo. Ele os congratulava em não serem avarentos e guardarem alem do necessário e sim ajudarem aos pobres.“Para que ser mais rico que o homem que Deus o tem como devedor? ”Esta inspiração de caridade provou ser vital quando os Godos conquistaram a vizinhança e tomaram vários cativos. O povo de Verona era os que mais ofereciam suas possessões para resgatar prisioneiros. Zeno é tido como tendo salvo Pistoia, Itália da inundação criada pela confluência dos rios Arno e Ombrone no que agora é conhecido como o Passo de Gonfolina e doura feita com narra Gregório o magno, o milagre que teve lugar dois séculos após a morte de Zeno baseado em testemunhas. Em 589 o Rio Adige ameaçou Verona e o povo correu para a igreja de seu padroeiro Zeno. As águas pareceriam respeitar as portas e apesar de estarem muito altas( elas ficara tão altas quando as janelas) mas nunca as águas entraram em sua igreja. A devoção a São Zeno cresceu por este e outros milagres e no reinado de Pepin, filho de Carlosmagno o Bispo Rotadus de Verona, trasladou as relíquias de Zeno para uma nova e espaçosa Catedral. Seu corpo hoje está em uma magnífica igreja Romanesca na Itália, a Igreja de São Zeno Magiore em Verona. No “timpanum” sobre a porta oeste está esculpido o santo de pele escura segurando uma vara de pescar enquanto pisa no demônio. A tumba de Zeno é grande, uma cripta do 12 º século onde ele foi colocado depois de estar em várias igrejas. Na arte litúrgica da Igreja ele é representado como um Bispo com um peixe ou segurando uma vara de pescar ou segurando o seu báculo.Ele é invocado como protetor das crianças para falar e andar, e é o padroeiro de Verona.. Sua festa é celebrada no dia 12 de abril.

Santa Regina

De acordo com a tradição ela era filha de Clement Alise e um pagão de Burgundy, França e após a morte de sua mãe ela foi criada como uma cristã pela uma mulher encarregada de cria-la. Quando pai ficou sabendo de sua cristandade expulsou-a de casa e ela foi forçada viver com a mulher que a criava e foi trabalhar como pastora de ovelhas. Diz ainda a tradição que ela era muito linda e o prefeito local, um pagão chamado Olybrius enamorou-se dela e deseja sua mão em casamento, mas ela recusou. Ele mandou prende-la por ser cristã e mandou tortura-la para que ela renegar a sua fé e oferecer sacrifícios aos deuses pagãos. Como ele tinha que viajar ele mandou acorrenta-la com um anel de ferro na cintura preso as paredes da cela. Ao retornar ele tentou de novo persuadi-la a tornar-se sua esposa. De novo rejeitado ele mandou que ela fosse acoitada deitada sobre um cavalo de madeira, arrancar as unhas de seus dedos e sua pele arrancada por ganchos de ferro. Regina recuperou-se dos seus ferimentos, como por milagre logo após voltar a sua cela. Uma noite na prisão ela teve uma visão da cruz e uma voz disse a ela que ela seria libertada em breve. No dia seguinte Olybrius começou o processo novamente desta vez usando tochas no seu corpo, crucificando-a e finalmente como ela não cedesse, furioso mandou decapita-la. Muitas testemunhas teriam sido convertidas no final do seu martírio porque uma pomba branca havia pousado em sua cabeça pouco antes dela ser decapitada, e como o carrasco a expulsasse ela ficava a voar sobre ela. Na arte litúrgica da Igreja ela é mostrada como uma virgem presa a uma cruz e com tochas sendo aplicada nos seus lados, ou 2) com uma pomba circulando acima de sua cabeça, ou 3) na prisão com um pomba e uma cruz brilhante, ou 4) com um cordeiro junto dela, ou 5) acoitada com barras de ferro . Ela é muito venerada em Autun, França e no sul da Alemanha

Santa Rebeca

Nasceu em de 29 de junho de 1832 em Himlaya, Líbano como Boutrossieh Ar-Rayes. Filha única de Mourad Saber Shabaq al-Rayes e Rafqa Gemayel. Sua mãe morreu quando Rebeca tinha apenas 6 anos e sua madrasta a educou. Ela trabalhou como domestica dos11 aos 15 anos e aos 14 anunciou que iria seguir a vida religiosa. Seu pai se opôs assim somente com 21 anos que ela se tornou uma freira na Ordem Mariana da Imaculada Conceição em Bikfeya tomando o nome religioso de Anissa (em homenagem a Santa Agnes) e tomando os votos definitivos em 1856. Em 1871 sua ordem se fundiu com a Ordem do Sagrado Coração de Jesus. Foram dadas as freiras a opção de entrar para a Ordem Combinada ou ir para outra Ordem ou deixar os votos. Santo Antônio, o Abade conhecido no Brasil com Santo Antônio Abade ou SantoAntão apareceu para ela em um sonho e seguindo suas ordens ela se juntou a Ordem de Santo Antônio dos Maronitas (Ordem dos Baladiya) em 12 de julho de 1871 como noviça com a idade de 39 anos , tomando o novo nome de Rebeca. Na festa do santo rosário em 1885 Rebeca rezou para que Cristo desse a ela sofrimentos similares. Sua saúde então começou a deteriorar e ela logo ficou quase cega e aleijada. Ela ficou os próximos 30 anos em orações sempre que podia e insistia que ela podia, apesar de ter problemas em manejar o tear e costurar. Em 1907 ela estava completamente cega e paralítica. Em 1981 os relatórios médicos apresentados no processo de canonização especialistas em oftalmologia , neurologia e ossos diagnosticaram que a causa de seus problemas seria tuberculose com localização ocular e na espinha com dores terríveis, mas Rebeca nunca reclamou de nada e agradecia a sua especial forma de comunhão com Jesus. Mais tarde sua amiga a Madre Superiora Ursula Doumit, ordenou que ela ditasse sua biografia e Rebeca obedeceu. Próximo ao dia de sua morte Rebeca rezou pedindo para que sua vista voltasse por uma hora para que ela pudesse ver o rosto de Madre Ursula e sua vista voltou, milagrosamente, por uma hora. Começando quatro dias após a sua morte vários milagres foram reportados em seu túmulo, e creditados a sua intercessão, sendo o primeiro o da Madre Doumit cuja garganta estava fechada por vários anos e ela estava em perigo de morrer de fome. Milagrosamente sua garganta sarou. Elizabeth En-Naktel de Tourza do norte do Líbano, foi curada de um câncer uterino em 1938 por intercessão de Rebeca e este milagre muito bem comprovado permitiu sua beatificação. Faleceu em 23 de março de 1914 no convento de São José em Grabata Líbano . Foi beatificada em 17 de novembro de 1985 pelo Papa João Paulo II. E canonizada em 10 de junho de 2001 pelo Papa João Paulo II. É padroeira dos doentes, da Paroquia Maronita em Porto Alegre e Katolske Kirke Norge na Noruega e da Igreja Maronita da Austrália

Santa Luzia

Ó Santa Luzia, que preferistes deixar que vossos olhos fossem vazados e arrancados ante negar a fé e conspurcar vossa alma; e Deus, com um milagre extraordinário, vos devolveu outros dois olhos, sãos e perfeitos, para recompensar vossa virtude e vossa fé,e vos constituiu protetora contra as doenças dos olhos, eu recorro a vós para que proteja minhas vistas e cureis a doença de meus olhos. Ó Santa Luzia, conservai a luz dos meus olhos para que eu possa ver as belezas da Criação, o brilho do sol, o colorido das flores, o sorriso das crianças. Conservai também os olhos de minha alma, fé, pela qual eu posso conhecer o meu Deus, compreender os seus ensinamentos, reconhecer o seu amor para comigo e nunca errar o caminho que me conduzirá onde vós, Santa Luzia,vos encontrais em companhia dos anjos e santos. Santa Luzia, protegei os meus olhos e conservai minha fé. Amém

S. CAMILO DE LELIS

Presbítero, Fundador, Santo1550-1614 Um gigante da caridade
De temperamento arrebatado, jogador contumaz, passou sua juventude entre o baralho, os dados e as armas. Uma chaga providencial na perna foi ocasião para que ele conhecesse o mundo do sofrimento e da verdadeira caridade, chegando, por esse caminho, a descobrir sua vocação para a santidade. Camilo nasceu no ano 1550 em Bucchianico, nos Abruzzos, no antigo Reino de Nápoles. Como aconteceu com São João Batista, sua mãe já era avançada em idade quando o concebeu. O pai, a serviço das armas, vivia mais nos acampamentos e campos de batalha do que no lar. Como poderia uma mãe idosa educar um menino que se tornou muito crescido para sua idade, e de um temperamento belicoso como o sangue que lhe corria nas veias? Apesar disso, conseguiu ensinar-lhe os rudimentos da Religião. Mas, sem que ela o soubesse, a par disso o menino aprendia também o segredo dos naipes e dos dados, e aos 12 anos já era um viciado jogador. Entre o jogo e as armas Com a morte da mãe, Camilo entregou-se desvairadamente ao jogo, perdendo tudo o que tinha. Entrou então para o exército, onde aprendeu as virtudes e os vícios dos soldados. Com o pai, foi alistar-se no exército que a República de Veneza meritoriamente recrutava para combater os turcos muçulmanos. Mas no caminho seu pai, João de Lelis, faleceu e foi enterrado perto de Loreto. Da herança de seu progenitor, Camilo recebeu um arcabuz e uma espada; e da herança divina, uma chaga misteriosa na perna, que aparecerá sempre que necessário, para conduzi-lo ao caminho de sua futura vocação. A fome e a miséria, e sobretudo a supuração de sua chaga, fizeram-no desistir da carreira militar. Tocado pelo exemplo de dois franciscanos, com sua modéstia e doçura, Camilo fez voto de ser um deles. Mas por causa da chaga, não foi recebido. Acabou indo para Roma, sendo recebido no Hospital dos Incuráveis como enfermeiro, para curar a perna e ganhar algum dinheiro. Mas a paixão do jogo o perseguia, e ele fugia do hospital para ir atrás das cartas. Como incorrigível, foi expulso do hospital. Combatia como herói, jogava como um demónio Pensou novamente na carreira das armas e entrou, a serviço delas, em um navio veneziano que partia para o Oriente. Participou de várias batalhas, e por estar gravemente enfermo não pôde combater em Lepanto, a famosa batalha em que Nossa Senhora apareceu e deu a vitória aos católicos contra os muçulmanos. Enquanto lutava como um herói, jogava como um demónio. Uma violenta tempestade no mar fez com que ele, assustado, se lembrasse do voto de tornar-se franciscano. Passada a tormenta, esqueceu-se novamente do voto, continuando na carreira das armas e subjugado pelo vício do jogo. Retornou a Roma para cuidar da chaga, que lhe reaparecera na perna. Mas perdeu no jogo até a camisa do corpo. Saiu da cidade, e em Manfredónia foi recebido pelos capuchinhos. O superior do convento, notando-lhe algo de especial, falou-lhe de Deus e da vocação religiosa. Camilo, tocado pela graça, converteu-se, sendo recebido como postulante. Quando passava pela vila, conduzindo duas mulas do convento, a criançada corria atrás dele gritando: “Aí vem o São Cristóvão, aí vem o São Cristóvão!”, devido à sua elevada estatura. Na escola, humildemente entre os meninos Quis continuar seus estudos, para ordenar-se sacerdote. Como Santo Inácio de Loyola, assentou-se nos bancos escolares com os meninos, o que o tornava sobremodo notório pela sua estatura, tão mais elevada que a de seus condiscípulos. Entretanto, não era desígnio de Deus que ele permanecesse entre os franciscanos. A úlcera reapareceu em sua perna e eles, pesarosos, o despediram. Voltou para a Cidade Eterna, onde permaneceu durante quatro anos até a úlcera ser curada. Julgou então seu dever voltar para os franciscanos, apesar de seu confessor, São Felipe Néri, o ter desaconselhado, predizendo que a chaga se reabriria. Foi o que aconteceu, tendo Camilo que voltar ao hospital. Ali, dedicou-se a cuidar dos enfermos, chegando a ser nomeado administrador geral do hospital. Certo dia, olhando para o Crucifixo enquanto cuidava dos doentes, exclamou: “Ah! Seria necessário aqui homens que não fossem conduzidos pelo amor ao dinheiro, mas pelo amor de Nosso Senhor; que fossem verdadeiras mães para esses pobres doentes, e não mercenários. Mas, onde encontrar tais homens?”. Começou então a ruminar o pensamento da fundação de uma Ordem religiosa para essa finalidade. Nasce a Ordem dos Camilianos Logo se lhe juntaram mais quatro discípulos, com os quais ele se reunia para rezarem e meditarem juntos, e depois cuidarem dos enfermos. Era o núcleo de sua futura congregação. Nas mil e uma dificuldades que surgiram para a consecução desse fim, ele sempre encontrava consolo em Nosso Senhor crucificado, que lhe dizia: “Não temas nada, eu estarei contigo”. Camilo terminou seus estudos e foi ordenado sacerdote, rezando sua primeira Missa em 10 de junho de 1584. Ele foi encarregado da capela de Nossa Senhora dos Milagres, fundando ali sua Congregação. Esse pequeno núcleo inicial dividia o tempo entre a prece e o cuidado dos doentes. Iam seus membros cada dia ao grande hospital do Espírito Santo, onde consolavam os enfermos, arrumavam seus leitos, varriam as salas, faziam curativos em suas chagas e preparavam os remédios que lhes eram prescritos. Mas cuidavam especialmente de suas almas, preparando os doentes para receber os últimos sacramentos, ajudando-os com suas preces e não se separando deles senão depois de suas mortes. Confiança absoluta na Divina Providência A Congregação nascente, por causa de sua caridade, encontrava-se cheia de dívidas. Certo dia em que os sacerdotes estavam muito tentados por essa razão, Camilo disse-lhes que era preciso confiar na Providência, como Nosso Senhor tinha dito a Santa Catarina de Siena: “Pensa em mim, que eu pensarei em ti”. E profetizou: “Antes de um mês estaremos com todas as dívidas pagas”. E realmente, antes de 30 dias um benfeitor faleceu, deixando-lhes considerável soma. Os Ministros dos Enfermos, como eram chamados seus filhos espirituais, aos poucos foram abrangendo outras obras de caridade. Camilo quis que eles servissem também aos doentes atacados pela peste, aos prisioneiros, aos feridos em campos de batalha e aos que estivessem morrendo em suas próprias casas. Sixto V confirmou a Congregação em 1586 e ordenou que ela fosse governada por triénio. São Camilo naturalmente foi eleito seu primeiro superior. Os primeiros dois mártires da caridade Aos poucos a obra foi se alastrando pela Itália. Primeiro foi o Reino de Nápoles que convidou os camilianos a fundar uma casa. Lá eles chegaram praticamente com a peste, e entregaram-se imediatamente ao atendimento dos empestados das galeras, que ninguém desejava socorrer. Dois dos discípulos de Camilo foram vítimas de sua heróica abnegação e morreram em consequência de sua caridade. Em 1590 houve uma grande carestia em toda a Itália. Os pobres foram obrigados a se alimentar de animais mortos e de ervas. São Camilo passava pelas ruas de Roma, levando pão e vestes para os necessitados. Além da fome sobreveio o frio, que foi muito rigoroso naquele ano. Conta-se que o número de mortos em Roma e arredores foi de 60 mil. Muitas vezes, Camilo entregava seu próprio manto a pobres que estavam morrendo de frio. Chegou a dar o último saco de farinha que havia no convento. Seus religiosos fizeram-lhe ver que eles próprios arriscavam-se a morrer de fome. O Santo respondeu-lhes então que os pássaros do céu não semeavam nem colhiam, e que entretanto Deus os alimentava; quanto mais a eles, que eram seus filhos. Nesse mesmo dia, um padeiro da cidade trouxe-lhes o pão necessário, prometendo que lhes traria aquele alimento diariamente, até o fim da crise. Presença imponente, energia contra blasfemadores Em 1591, o Papa Gregório XIV erigiu a nova congregação em Ordem religiosa com o privilégio das mendicantes, sob obrigação de fazerem os três votos: pobreza, obediência e castidade. Seus membros eram proibidos de passar para outra comunidade religiosa, exceto a dos Cartuxos. São Camilo era de uma imponente presença. Com mais de um metro e noventa de altura, corpo bem proporcionado, cabeça ereta, olhos escuros, um véu de tristeza parecia recordar-lhe a todo momento o pesar pela vida passada. Sua voz tinha matizes graves e severos, mas ficava inteiramente transformada quando falava da caridade. Uma testemunha diz que muitas vezes viram seu rosto coberto de chamas. Não tinha muito estudo, mas possuía uma sabedoria toda divina para o governo de sua Ordem e o cuidado dos enfermos. Certa vez, passando pelo porto, ouviu alguns marujos blasfemarem. Saltou na coberta da nave, com um Crucifixo na mão, e lhes disse irado: “Miseráveis! Não sei como Deus tem paciência com vocês e o mar não os traga, ou um raio não os carboniza”. Caridade extrema até nas vésperas da morte Após a realização do quinto capítulo da Ordem em Roma, em 1613, ele foi visitar suas outras casas com o novo superior geral. De volta à Cidade Eterna, esgotado já pelas fadigas e sofrimentos, soube que brevemente chegaria a hora de comparecer perante o tribunal divino. A úlcera na perna acompanhou São Camilo por mais de 40 anos, até o fim de sua vida. Foi ele também atacado por outras moléstias, levando uma vida de sofrimentos. Em sua última doença, quis ficar no hospital, e levantava-se de gatinhas do leito para ir cuidar dos enfermos. Enfim, no dia 14 de julho de 1614, como havia predito, entregou sua alma a Deus. Tinha 64 anos de idade. Muitos milagres se operaram em seu túmulo. Em 1742 foi ele beatificado por Bento XIV, que também o canonizou quatro anos depois.

S. BENEDITO O NEGRO

Franciscano, Santoc. 1526
Benedito nasceu na Sicília, por volta de 1526, filho de negros que haviam sido escravos ou que descendiam de outros que o tinham sido. Ingressou num convento franciscano de Palermo, capital da Sicília, e foi religioso exemplar, primando pelo espírito de oração, pela humildade e pela obediência. Embora simples irmão leigo e analfabeto, a sabedoria e o discernimento que possuía fizeram com que fosse nomeado mestre de noviços e mais tarde eleito superior do convento. Atendia a consultas de muitas pessoas que o procuravam para pedir conselhos e orientação segura. Foi favorecido por Deus com o dom dos milagres. Tendo concluído seu período como superior, retornou com humildade e naturalidade para a cozinha do convento, reassumindo com alegria as funções modestas que antes desempenhara. E assim, na mais sublime indiferença pela sua própria pessoa, faleceu com fama de eminente santidade. Foi canonizado em 1807 e é um dos padroeiros de Palermo. No Brasil, entre os escravos e as pessoas de cor, foi muito difundida sua devoção, geralmente associada à de Nossa Senhora do Rosário, à de Elesbão, Imperador negro da Etiópia, e à de Efigênia, princesa também negra e igualmente etíope

10.16.2008

JOSÉ DE ANCHIETA (BEATO)

Jesuíta, Missionário, Beato1534-1597
José de Anchieta nasceu no dia 19 de março de 1534, na cidade de São Cristóvão da Laguna, na ilha de Tenerife, do arquipélago das Canárias, Espanha. Foi educado na ilha até os quatorze anos de idade. Depois, seus pais, descendentes de nobres, decidiram que ele continuaria sua formação na Universidade de Coimbra, em Portugal. Era um jovem inteligente, alegre, estimado e querido por todos. Exímio escritor, sempre se confessou influenciado pelos escritos de são Francisco Xavier. Amava a poesia e mais ainda, gostava de declamar. Por causa da voz doce e melodiosa, era chamado pelos companheiros de “canarinho”. Mas também tinha forte inclinação para a solidão. Tinha o hábito de recolher-se na sua cela ou de retirar-se para um local ermo a fim de dedicar-se à oração e à contemplação. Certa vez, isolou-se na catedral de Coimbra e, quando rezava no altar de Nossa Senhora, compreendeu a missão que o aguardava. Naquele mesmo instante, sentiu o chamado para dedicar sua vida ao serviço de Deus. Tinha dezessete anos e fez o voto de consagrar-se à Virgem Maria. Ingressou na Companhia de Jesus e, quando se tornou jesuíta, seguiu para o Brasil, em 1553, como missionário. Chegou na Bahia junto com mais seis jesuítas, todos doentes, inclusive ele, que nunca mais se recuperou. Em 1554, chegou à capitania de São Vicente, onde, junto com o provincial do Brasil, padre Manoel da Nóbrega, fundou, no planalto de Piratininga, aquela que seria a cidade de São Paulo, a maior da América do Sul. No local foi instalado um colégio e seu trabalho missionário começou. José de Anchieta não apenas catequizava os índios. Dava condições para que se adaptassem à chegada dos colonizadores, fortalecendo, assim, a resistência cultural. Foi o primeiro a escrever uma “gramática tupi-guarani”, mas, ao mesmo tempo, ensinava aos silvícolas noções de higiene, medicina, música e literatura. Por outro lado, fazia questão de aprender com eles, desenvolvendo diversos estudos da fauna, da flora e do idioma. Anchieta era também um poeta, além de escritor. É célebre o dia em que, estando sem papel e lápis à mão, escreveu nas areias da praia o célebre “Poema à Virgem”, que decorou antes que o mar apagasse seus versos. A profundidade do seu trabalho missionário, de toda a sua vida dedicada ao bem do próximo aqui no Brasil, foi exclusivamente em favor do futuro e da sobrevivência dos índios, bem como para preservar sua influência na cultura geral de um novo povo. Com a morte do padre Manoel da Nóbrega em 1567, o cargo de provincial do Brasil passou a ser ocupado pelo padre José de Anchieta. Neste posto mais alto da Companhia de Jesus, viajou por todo o país orientando os trabalhos missionários. José de Anchieta morreu no dia 9 de junho de 1597, na pequena vila de Reritiba, atual cidade de Anchieta, no Espírito Santo, sendo reconhecido como o “Apóstolo do Brasil”. Foi beatificado pelo papa João Paulo II em 1980. A festa litúrgica foi instituída no dia de sua morte

São Vicente D'Ávila

Registros indicam que Vicente era um jovem cristão em Ávila, Espanha quando o Imperador Daciano ordenou a supressão de todos os Cristãos. O crime de Vicente era sua independência e liberdade. Ele sentia que estava certo e arriscou a perturbar as crenças tradicionais. Eles tentaram coloca-lo de volta no caminho "certo" da apatia, tradição e idolatria aos deuses pagãos, mas aos olhos de Vicente, Júpiter era um salafrário merecendo tudo menos adoração. Ele preferia o homem que foi crucificado em Jerusalém e afastando a poeira das velhas crenças ele soprou ar fresco nos seus contemporâneos. Mas em breve Vicente foi preso, julgado e foi condenado a morte. É dito que Vicente deixou a impressão dos seus pés em uma pedra na prisão para mostrar aos guardas quem era Jesus, e foi o suficiente para converte-los. Seus guardas, entretanto diz a tradição viram os pés de Jesus na rocha e sentiram o odor de Jesus, como alguns livros antigos comentam esse milagre. Por um tempo tudo correu bem para Vicente. Seus guardas estavam convertidos e com a ajuda de Sabina e Christela ele conseguiu escapar. Mas ao chegar em Alba, todos os três foram presos. Eles foram chicoteados, espancados , e esmagados com pedras. E desta vez, em vez de deixar uma impressão na pedra, Vicente deixou um grande impressão em toda a Espanha. Ele é mostrado na liturgia da igreja católica com duas mulheres sendo torturado e desmembrado na roda. Ele é muito venerado em toda a Espanha especialmente em Ávila.
Rei e Santo907-929
O bondoso monarca da Boémia, Wratisláu, antes de morrer, deixou como herdeiro do trono, seu filho Wenceslau, nascido no ano 907, na actual República Checa. Com isso, despertou em sua mulher, Draomira, a ira e a vingança, pois era ela própria que desejava assumir o governo do país. Se não fosse possível, pretendia entregá-lo a seu outro filho, Boleslau, que tinha herdado o carácter e a falta de escrúpulos da mãe. Enquanto, Wenceslau fora criado pela avó, Ludmila, que lhe ensinou os princípios de bondade cristã. Por isso, não passava por sua cabeça uma oposição fatal dentro do próprio lar. Assim, acabou assassinado pelo irmão, de acordo com um plano diabólico da malvada rainha. Mas antes que isso acontecesse, a mãe Draomira tomou à força o poder e começou uma grande e desumana perseguição aos cristãos. Assim, por sua maldade e impopularidade junto ao povo, foi deposta pelos representantes das províncias, que fizeram prevalecer a vontade do Rei Wratisláu, elevando ao trono seu filho Wenceslau. Imediatamente, seguindo o conselho de sua avó, Wenceslau levou de volta ao reino o Cristianismo. Quando soube disso, Draomira ficou tão transtornada que contratou alguns assassinos para dar fim à vida da velha e bondosa senhora, que morreu enquanto rezava, estrangulada com o próprio véu. Draomira sabia que ainda havia mais uma pedra em seu caminho, impedindo seus planos maldosos e sua perseguição ao povo cristão. Wenceslau era um obstáculo difícil, pois, em muito pouco tempo, já tinha conquistado a confiança, a graça e simpatia do povo, que viam nele um verdadeiro líder, um exemplo a ser seguido. Dedicava-se aos mais pobres, encarcerados, doentes, viúvas e órfãos, aos quais fazia questão de ajudar e levar palavras de fé, carinho e consolo. A popularidade de Wenceslau cresceu ainda mais quando, para evitar uma batalha com o duque Radislau, que se opunha ao seu governo cristão, propôs que ao invés de entrarem em guerra, travassem duelo entre si, evitando assim a morte da população inocente. Quem vencesse ficaria com o poder. No dia e hora marcados os adversários se encontraram no campo de batalha. Radislau imediatamente atacou, de lança em punho. Contam os registros, que no momento em que feriria Wenceslau mortalmente, apareceram dois anjos que o mandaram parar. Radislau caiu do cavalo e quando se levantou já era um homem modificado. Naquele momento pediu perdão e jurou fidelidade ao seu senhor. Draomira e Boleslau, inconformados com a popularidade de Wenceslau, arquitectaram um plano diabólico para acabarem com sua vida. No dia 28 de setembro de 929, durante a festa de baptismo de seu sobrinho, enquanto todos festejavam, Wenceslau se retirou à capela para rezar. Draomira sugeriu ao filho Boleslau que aquele seria o melhor momento para matar o próprio irmão. Boleslau invadiu a capela e apunhalou o irmão no altar da igreja. Ambos, porém, não tiveram tempo de saborear o poder e o trono roubado de Wenceslau, pois em poucos dias Draomira teve uma morte trágica e Boleslau foi condenado pelo imperador Oton I. O seu corpo foi sepultado na igreja de São Vito, em Praga. Desde então passou a ser cultuado como santo. A Hungria, a Polónia e a Boémia têm em São Wenceslau seu protector e padroeiro. Mais tarde, no século XVIII a Igreja inscreveu São Wenceslau no calendário litúrgico marcando o dia 28 de setembro para a sua festa

SANTA IRIA DE TOMAR

Nascida de uma rica família de Nabância (Região de Tomar), de onde era natural, Iria recebeu educação nobre num mosteiro de freiras beneditinas, governado por seu tio, o Abade Sélio, e no qual viria a professar. Pela sua beleza e inteligência, Iria cedo reuniu a simpatia das religiosas e das pessoas da povoação, em especial dos moços e fidalgos, que disputavam entre si a as virtudes da noviça. Entre estes mancebos contava-se Britaldo, príncipe daquele Senhorio, que veio a alimentar por Iria uma paixão doentia. Iria, porém, recusava as investidas amorosas do fogoso fidalgo, confessando-lhe a sua eterna devoção a Deus. Dos amores de Britaldo teve conhecimento Remígio, director espiritual de Iria e a quem a beleza da donzela também não passara despercebida. Consumido de ciúmes, o monge fez tomar a Iria uma tisana embruxada, que logo fez surgir no seu corpo os sinais de gravidez. Expulsa do convento, a pobre donzela recolhera-se junto do rio para orar quando, traiçoeiramente, foi assassinada por um criado de Britaldo, a quem tinham chegado os rumores destes eventos. Lançado ao rio, o corpo da mártir foi depositado em sepulcro celestial nas claras areias do Tejo, aí permanecendo, incorruptível, através dos tempos. Eis o que conta a lenda de Santa Iria...

SANTA MARGARIDA MARIA ALACOQUE

Religiosa visitandina, Santa1647-1690
Santa Margarida Maria Alacoque, nasceu em 22 de agosto de 1647, na diocese de Autun (França). Desde a mais tenra idade, até a sua adolescência, sofreu as mais duras provações. Já com saúde frágil, não tinha completado ainda oito anos quando perdeu o pai e logo em seguida a irmã. A mãe e os irmãos, eram vítimas das perseguições diárias de tias rabugentas com as quais habitavam. Sua mãe, sofrendo de longa e dolorosa doença, foi carinhosamente amparada pela pequena Margarida, apesar da repulsa que certos cuidados exigiam à sua extrema sensibilidade. A sua mudança para o convento das Irmãs clarissas, que cuidariam dela e de seu aprimoramento religioso, representou um período difícil pela separação da vista da mãe. A decisão de enviá-la para as clarissas não foi tanto pelas incoveniências em cuidar da mãe, mas principalmente pela luta diária diante da falta de amabilidade e incompreensão dos que a rodeavam. Permaneceu no convento das clarissas, porém, ligada à vida secular até atingir a juventude. Certo dia, quando participava de uma missa, mesmo sem conhecer o sentido exato, pronunciou inspiradas palavras de consagração ao Senhor: “Ó meu Deus”, disse, “consagro-vos a minha pureza e faço-vos voto perpétuo de castidade”. Uma doença, porém, passou a lhe atormentar por um período de quatro anos, de modo que o sofrimento tornou-se constante, já que nenhum medicamento era eficaz para abrandar as intensas dores no organismo. Foi quando, milagrosamente, a doença regrediu até a cura, e por este motivo consagrou-se à Virgem Maria, prometendo entrar no serviço religioso. Estava decidida a ingressar na Congregação das Ursulinas, quando uma voz secreta disse-lhe: “Não a quero lá, mas em Santa Maria...!” Estava claro que o Senhor destinara ela para a Congregação das Irmãs da Visitação e isto já era prefigurativo de como ela iria glorificar o Senhor na propagação do Coração de Jesus. As palavras do fundador da Ordem da Visitação, São Francisco de Sales, quando escreveu a Santa Joana de Chantal em 10/06/1611, demonstravam já a devoção da congregação aos Corações de Jesus e Maria: “Realmente, a nossa pequena congregação é uma obra do Coração de Jesus e de Maria”. Devoção correlatada por Santa Joana de Chantal: “As Irmãs da Visitação são bem humildes e fiéis a Deus, e terão o Coração de Jesus como residência e estada neste mundo”. Santa Margarida foi acolhida no convento das Irmãs da Visitação de Paray-le-Monial. Ali mesmo o Senhor se manifestaria a ela em revelações distintas, relativas à difusão da consagração e amor ao Seu Coração. Apareceu-lhe por numerosas vezes, e deu a conhecer que seria ela o instrumento para arrebanhar o maior número de pessoas ao Amor de Seu Coração. A essência da mensagem, porém, agrupa-se em três revelações. A primeira ocorreu em 27 de dezembro de 1673, conforme relatou Santa Margarida: “Diversas vezes, diante do Santíssimo Sacramento... encontrei-me inteiramente investida desta divina presença... eu abandonei-me ao Seu Divino Espírito, por força do Amor o Seu divino Coração... Ele fez-me repousar de forma extrema e por um longo tempo sobre o Seu divino peito, onde pude descobrir as maravilhas do Seu amor, e os segredos mais profundos e inexplicáveis do Sagrado Coração... Ele me disse: ‘O Meu divino Coração transborda de amor para os homens, de modo especial por você, que não poderá mais conter para si a luz das chamas da brilhante caridade; é necessário que seja difundida aos homens, e que lhes seja manifesto para enriquecê-los dos preciosos tesouros que te revelei...’” A segunda, situa-se provavelmente deu-se em uma das primeiras sextas-feiras do ano 1674: “E uma das vezes, entre tantas outras, em que o Santíssimo Sacramento estava exposto, após ser eu retirada do interior de mim mesma... Jesus Cristo, Meu suave Mestre, apresentou a mim, repleto da sua glória, suas cinco chagas, brilhantes como cinco sóis, e desta sagrada Humanidade saíam chamas de todas as partes, sobretudo do Seu adorável peito, semelhante à uma fornalha; neste instante revelou-me todo o amor e todo o seu amável Coração e o estado da fonte viva destas chamas. Ele revelou-me as maravilhas inexplicáveis de seu Puro Amor, excessivamente entregue aos homens, dos quais recebia apenas frieza e ingratidão...” Na terceira, ocorrida durante o mês de junho de 1675, Jesus exigiu que fosse feita uma festa especial ao Seu Sagrado Coração: “Numa das tantas vezes em que encontrava-me diante do Santíssimo Sacramento, revelou-me Deus as graças excessivas de Seu Amor... Então, mostrando-me Seu divino Coração, disse: ‘Aí está o Coração que tanto tem amado os homens, a ponto de nada poupar até exaurir-se e consumir-se para demonstrar-lhes o seu amor; ... eu te exijo mais, que na primeira Sexta-feira de acordo com a oitava do Santíssimo Sacramento, seja dedicada e junte-se à esta festa por honra ao Meu Sagrado Coração, fazendo que seja de igual honra àquele dia, a fim de reparar as indignidades e ultrajes durante o tempo em que o viram exposto sobre os altares’”. Santa Margarida, porém, enfrentaria diversos obstáculos na propagação das revelações feitas a ela por Nosso Senhor. Não tardou que fossem levantadas críticas e colocadas em dúvida as suas experiências místicas. Submetida às mais duras provações e intensas humilhações, Deus enviou ao mosteiro um santo sacerdote que, a princípio passou a estudar minuciosamente os fenômenos relatados. Posteriormente, tornar-se-ia ele propagador e apóstolo do Sagrado Coração de Jesus: Padre Cláudio de La Colombiere. No último ano da sua vida, Santa Margarida teve a oportunidade de ver a propagação da devoção ao Sagrado Coração de Jesus; viu também um grande número de críticos e opositores tornarem-se fervorosíssimos propagadores da santa devoção. Deus revelou-lhe o mistério da Santíssima Trindade, durante uma das suas aparições. Jesus deixou grandes promessas às pessoas que, aproveitando-se da Sua divina misericórdia, participassem das comunhões reparadoras das primeiras sextas-feiras: “Prometo-te, pela Minha excessiva misericórdia e pelo amor Todo-Poderoso do meu Coração, conceder a todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, a graça da penitência final; não morrerão em minha inimizade, nem sem receberem os sacramentos, e meu divino Coração lhes será seguro asilo nesta última hora”. Tais manifestações divinas, sucederam num período em que a heresia jansenista, retratava um braço do protestantismo a propagar seus erros no seio da Igreja, tentando aniquilar a concepção da misericórdia de Deus e da confiança dos fiéis em relação ao Pai Celeste. A mensagem misericordiosa de Cristo, que aos poucos foi se impondo no convento da Visitação, acabou espalhando-se rapidamente entre as nações e em seguida instituída a sua prática em toda a Igreja Universal. Santa Maria Margarida Alacoque morreu jovem, aos 43 anos de idade, em 17 de outubro de 1690 e foi canonizada em 1920, pontificado do Papa Bento XV.